terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Natal 09

"E cá estou, computador portátil apoiado nas pernas, sentada no banco de trás do carro do meu tio, em direcção a Tomar, a congeminar o que devo deixar aqui escrito.
Vejo consecutivamente carros a passar por mim a 200km/h, apinhados de prendas no porta-bagagem, apressados para chegar a casa, para estarem com as suas famílias e festejarem a mais célebre festa do ano: O Natal.

Abro os olhos e deixo as palavras soltarem-se do pensamento e passarem lentamente para o papel. Penso numa palavra e logo surge outra, vão saindo sem critério e tento não pensar em nada de concreto; sai-me uma e depois outra como se tratasse de um exercício de reconhecimento cognitivo… vida, família, natal, lógico, luzes, som, natal, prendas, família… reparo que já repeti diversas palavras, será pelo som ou pelo significado? Não sei, não me importa, não quero saber.

Oiço sinos a tocarem uma melodia preguiçosa, vem daquela cidade, Tomar, cidade que avisto, “oiço lá longe ruídos de paz”… Tal singularidade geográfica confere-lhe enorme riqueza paisagística. Nem o frio me demove de observar, em cada ângulo, esta esplêndida serra de tomar, que como todo o país, fica diferente, na quadra natalícia. A azáfama dos sacos de Natal, a música, o Pai Natal, o presépio e os enfeites natalícios… cada iluminação de natal é um espectáculo de luz e cor, original e diferente, até aquela coisa das pessoas andarem a empurrar-se por todo lado é divertido de se ver.
Sempre adorei o natal, é sinónimo de magia. Natal é frio, Natal tem cheiro, Natal é amor…
Porém, ao contrário do que muitos afirmam, o Natal não é sempre igual, muito pelo contrário, o natal nunca deixa de ter o seu encanto…

A nossa consoada é fantástica, com “iguarias originais e fora de comum”, entre o bacalhau gratinado com gambas, o soufflé de peixe e o peru assado, toda a minha família vibra com esta época. A quantidade de pessoas varia um pouco de ano para ano, mas somos, entre pais, avós, tios e primos, no mínimo 16 pessoas à mesa! A alegria começa com a decoração da casa... a lareira acesa que proporciona um ambiente quente, com alma... O espírito de natal está patente em cada detalhe, o pinheiro enfeitado, acompanhado com elaborados presentes faz aumentar o desassossego do Rodrigo, da Nicole, da Sofia, do Gonçalo e da Alícia para a tão ansiada meia-noite.

Devia ser Natal todos os dias, mas corremos o ano inteiro atrás de qualquer coisa que é sempre mais importante… e agora, que as ruas se enchem de luz, é o momento de parar e festejar.. “Feliz Natal!, Merry Christmas!, Joyeux Noël!, Frohe Weihnachten!, Feliz Navidad!, 聖誕快樂!”
Este é um daqueles textos que podia guardar numa pequena caixinha, atar com uma fita, talvez de cetim vermelho, e um dia mais tarde recordar…

O ano 2010 está à porta. Desejos e projectos por realizar, sonhos que persistem e outros que se iniciam e que queremos que ganhem vida. O sentimento é o de sempre: saudosismo do ano que passou e expectativas elevadas de que o próximo seja ainda melhor.
Pressuponho não ter tempo de escrever no blog antes de iniciar-se o próximo ano, por isso, deixo desde já, os sóbrios votos de feliz 2010 a todos os leitores deste blog! :)

Já lá vai mais um, o tempo passou a correr...

CARPE DIEM!”

24/12/2009, Tomar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vai começar...

O verão já terminou...
Em Outubro, supostamente, a temperatura diminui. Este ano, eu prevejo passar o Natal na praia, tendo em conta a temperatura fantástica que tem estado em pleno Outono. [Foi um aparte :b]
Continuando, o tempo para escrever no blog é bastante reduzido, devido ao início das aulas e dos treinos. Contudo, não poderia deixar de destacar o início do tão aguardado Campeonato!
Exactamente, este fim-de-semana inicia-se, para diversos escalões, o Campeonato Distrital de Lisboa!

Também a ADESintra inicia os jogos oficiais:
As Juniores, no Sábado vão disputar um jogo, que prevê-se equilibrado, com a SIMECQ, às 15h. As Iniciadas, jogam no Domingo, dia 11 de Outubro, às 09h15m, com o SLBenfica e, de seguida, às 11h15m, as Cadetes, com a equipa do Estoril Basket. Todos os jogos realizar-se-ão em "casa".

Boa sorte e uma excelente época! :)

Juniores Femininos 09/10

Cadetes Femininos 09/10

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Entrevista

11-Set-2009

"Venha conhecer mais uma jovem promessa do basquetebol nacional. Com apenas 14 anos de idade, mas já com vários anos de prática da modalidade, Débora Herzig sabe bem que o basquetebol é uma escola da vida.

Como gostas de passar o teu tempo?
Gosto de jogar basquetebol e fazer desporto em geral, ler, escrever no meu blog, internet e estar com a minha família e amigos.

Com que idade começaste a jogar basket? Como é que tudo se passou?
Iniciei a prática desportiva, em minibasquete, na UDOB. Não sei exactamente o ano exacto em que entrei... A minha treinadora era a Natália André (Natas), que agora pertence à equipa sénior do Algés. Estive um ano e alguns meses, tendo depois deixado, por não conseguir conciliar com o Karaté e com a Natação. Passado alguns anos, na época 2006/07 fui jogar para o CAC Pontinha, clube que acabou nessa época e recomeçou com alguns elementos, no Carnide Clube.

O que é o Basquetebol já fez por ti?
No basquetebol aprendi coisas que nunca me ensinaram na escola: a força de vontade, a persistência, o respeito mútuo, a humildade, a concentração, saber lidar com o previsto e o imprevisto, o controlo das emoções e, sobretudo saber o que é, na realidade, fazer parte de uma equipa. “O basquetebol é uma amostra da vida!”

Que recordações trazes da UDOB e do Carnide?
Quando estive na UDOB, era muito nova, não tenho grandes recordações, mas lembro-me o quanto adorava as minhas treinadoras. Divertia-me imenso naqueles treinos e, por isso, quando a Natas falou comigo para passar a treinar com as iniciadas, não quis. Fiquei muito triste quando tive de abandonar. Mais tarde, quando tive disponibilidade para voltar, a UDOB acabou.

O Carnide é o meu clube do coração, foi onde despertou o grande interesse pelo basquetebol, onde tive o início da minha formação como jogadora. Tive a oportunidade de jogar em todos os escalões.

Não posso deixar de agradecer a todas as pessoas do Carnide pela formação que tive, onde ainda tenho grandes amigos. Todos os momentos que passei naquele clube são recordações muito boas.

Ao longo da tua carreira, qual foi o momento que mais te marcou? Porquê?
Vários momentos me marcaram, tanto positiva como negativamente, mas todos eles serviram de aprendizagem. A medalha de MVP que recebi no Torneio Internacional da Amadora, teve grande valor para mim, talvez por ter sido a primeira. Tal como o Inter09, pela Selecção Sub16 e, um dos jogos de Seniores Femininos com o Náutico de Abrantes que vencemos no último segundo, após prolongamento.


No jogo de basquete, o que te dá mais prazer fazer?
Apesar de gostar de marcar triplos porque além de valer mais pontos é um lançamento difícil, pois é realizado a uma maior distância, o que realmente me dá mais prazer é realizar uma assistência. Não há melhor sensação.

Qual é o teu lema?
“Unidos venceremos, divididos cairemos”

Qualidade:
Humildade

Defeito:
Teimosia

Pessoas que te marcaram de forma positiva na tua carreira de atleta:
Gonçalo Marques, Telmo Botelho, Joana Fialho, Ivo Antunes, e como disse, todas as pessoas do Carnide, principalmente as minhas ex-colegas! E a minha família, que sempre me apoiou em tudo.

Quais são os teus ídolos e porquê?
Não tenho nenhum ídolo em especial. Tento tirar o bom de vários jogadores que posso observar, sejam eles profissionais ou não.

Esta época optaste por mudar para o ADESintra. Porquê? E porquê o ADESintra?
No final da época passada decidi que o melhor para a minha evolução como jogadora era mudar de clube, apesar de ter sido muito difícil chegar a esta decisão. A escolha pelo Algueirão deveu-se bastante ao facto de sempre tê-lo visto como uma das melhores escolas de formação. É um clube bem estruturado e organizado.
Os resultados são uma consequência natural do trabalho desenvolvido nos treinos.

Constatei de facto que, para além do clube, existe uma família, em que todos colaboram e estão prontos a ajudar. Estou a gostar muito desta nova experiência, dos novos treinadores e da nova equipa.

Que objectivos tens para o teu futuro, tanto no basquetebol como fora dele?
Os meus objectivos pessoais passam pelos estudos, mas não quero deixar o basket! Iniciei agora o 10º Ano, no curso de Ciências e Tecnologias, para mais tarde seguir Fisioterapia. Pretendo conciliar as duas coisas, se me for possível. Quero continuar a jogar durante muitos anos e talvez tornar-me profissional. Gostava muito de chegar à Liga Espanhola.


E o que pensas fazer para atingir esse objectivo?
Muito trabalho e dedicação.


Já tentaste ler artigos ou notícias que te possam ajudar a evoluir como jogadora?
Sim, vou tentando manter-me sempre a par de quase todas as notícias do basquetebol nacional e internacional, ler entrevistas de jogadores experientes e artigos de treinadores.

Sei que te iniciaste como monitora de minibasquete. Não queres partilhar essa experiência com os leitores?
A época passada contribuí na ACR Quinta do Mendes, na equipa de mini 8.Foi uma experiência muito enriquecedora. Senti que consegui, de alguma forma, transmitir valores e o gosto pelo basquetebol aqueles jovens jogadores. Infelizmente tive de deixar por falta de disponibilidade. Pretendo daqui a uns anos voltar a contribuir no minibasquete, é fascinante poder estar no início da carreira daquelas crianças e com o tempo observar a sua evolução.

O que achas que o Basquetebol nacional precisa para ir mais longe?
Na minha modesta opinião, a federação portuguesa de basquetebol e, principalmente a ABLisboa está a fazer um excelente trabalho. Creio que o minibasquete deu um salto muito qualitativo. Os próprios clubes dão mais importância a este escalão. Deviam continuar assim, pois os minis são os futuros grandes jogadores. Apesar de tudo isto, penso que deveriam aumentar o número de eventos ligados ao basquetebol e existir uma maior divulgação, principalmente nas escolas.

O que aconselhas aos atletas que estão a ler esta entrevista?
Nunca deixem de acreditar em vocês próprios e continuem sempre a lutar! Corram sempre atrás daquilo que ambicionam e não desistam por aparecerem obstáculos, pois isso faz parte da carreira dos melhores. Mas, humildade acima de tudo! Ninguém gosta de jogar com pessoas que não admitem os erros e que querem resolver as coisas sozinhas. E, sobretudo, não deixem que o objectivo de vencer se sobreponha à alegria de jogar.

O que achas do site Planeta Basket?
Neste momento, acho que o Planeta Basket é dos sites mais completos do país. Abrange um pouco de tudo: entrevistas, análises e, as notícias estão sempre actualizadas. Gosto bastante!

Débora, muito obrigada pelo teu contributo. Desejo-te uma excelente época e que consigas atingir os teus objectivos num futuro próximo."

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domingo, 13 de setembro de 2009

"Tudo muda, tudo parte"

Ainda me lembro da primeira vez que te vi. Estava uma noite escura e fria. O jogo terminou, tu saíste na porta 6 e olhaste em teu redor. Num curto espaço de tempo, os longínquos 200km transformaram-se em concisos 2m.

Passado um ano e ténues meses estavas ali, frente a frente comigo, cabelo e olhos negros, esses cintilantes, vivos como uma chama acesa, que contrastavam com a roupa escura.

As palavras básicas foram mencionadas, em breves minutos, que passaram a segundos e desapareceram, em instantes.

Sinceramente, não sei bem o que falar sobre o período que decorreu entre esta noite e a próxima vez que te vi. Passaram meses e poucas foram as mensagens, telefonemas ou e-mails que trocámos.

Contudo, deixo Lisboa e sigo em direcção a norte...
Estávamos a meio do mês de Agosto. O sol brilhava intensamente. 16, era a hora marcada. O rio, iluminado pela estrela central do nosso sistema planetário, estava extraordinário. O remexer das árvores era tão suave e tranquilo. A sombra que delas provinha era ainda mais agradável. É um lugar diferente, onde o passado e o presente se misturam, e a serenidade do ambiente cede dias de sonho.
Acho que tudo naquela cidade me parecia novo, tão novo, que me fazia parecer que nada daquela beleza natural existiria em Lisboa. Seguramente existe, mas eu nunca me dei à magnificência de apreciá-la.

Estavas diferente, diferente o suficiente para eu dizer que não eras, certamente, tu. Um rudimentar corte, exacto. Que parvoíce!

As horas passavam e continuávamos ali, a falar… O que decerto nunca teríamos falado, ou se falámos, foi por telemóvel. Diferente, obviamente.

Aí o tempo passava devagar. Poucas pessoas se viam na rua, as lojas estavam, maioritariamente, fechadas, um silêncio enorme era quebrado por crianças que ali passavam. Umas brincavam com a família, outras corriam e gritavam atrás dos pombos, todas elas despertavam a atenção, mas lembro-me especialmente de um menino que passou por nós naqueles carros vermelhos, iguais aos da Expo, enquanto tu disseste “será que também posso andar?”.

Nesse breve espaço de palavras lembrei-me o quanto gostava de ti quando era mais nova. Crianças inocentes, que tolice, nem nos conhecíamos. Lembro-me tão bem quando disseste que por mim procuravas Carnide e pediste-me que fosse ter contigo a Lisboa, pois estavas lá numa visita de estudo. Em tão pouco tempo ficaste um homem. Um “super”, por assim dizer. As histórias encantadas terminaram nesse exacto ano, 2007. Decerto, nunca existiram, apenas na nossa mente, de crianças.

Passaram horas, minutos, segundos e aquele fim-de-semana, terminou a observar-te ir embora. Parece que foi ontem. Direccionei o meu olhar ligeiramente para trás, saíste pelo jardim, atravessaste a estrada, seguiste em frente, e a tua t-shirt verde, jamais a vi.

Depois desse dia, Sexta-Feira, 21 Agosto, o que aconteceu foi esquecido, abandonado, no formato de uma carta, dentro de uma garrafa, no Rio Mondego, nas terras de D.Pedro e D.Inês.

Coreografia bem executada, musical concluído.

Hoje, Domingo, dia 13 de Setembro, pelas 03h28m, já em casa, chego à conclusão que, naturalmente, não te reconheci, naquele dia, porque nunca te cheguei a conhecer.
Presumivelmente, só conheci a criança que existiu e, sabes… vou continuar a tratar-te como tal.

O sorriso aparece, ligeiramente, «sorriso do hei-de voltar». Este foi o melhor sítio para me despedir do verão.

“SD, não. Apenas DC, sff.”