Desde o meu último jogo, praticamente todos os dias, relembro algo que me
ensinaram dentro destas quatro linhas.
Passados dois anos, regresso. Foram dois anos em que praticamente a tempo
inteiro percebi que durante toda a minha vida vou precisar de pensar como
pensaria lá dentro. Durante este tempo, e não apenas porque fui para um curso –
enfermagem - no qual é expressamente necessário possuir todos estes valores, senti
necessidade de colocar em prática todas aquelas lições que durante anos me
foram transmitidas.
"You’ve to practice dedication, team work, patience, unity and love.
And if we can practice all those things to make our game better, we can
practice those things to make our world better. …Basketball is just a game…but
sometimes is more than that."
O basquetebol ensina-nos que nunca obteremos
sucesso sem valores como a cooperação, o trabalho em equipa, o respeito, a
justiça, o empenho e dedicação. Ensina-nos ainda a saber valorizar o que somos,
a trabalhar o que temos, não perdendo tempo a criticar as circunstâncias
externas. Ensina-nos que “o único lugar onde o sucesso vem antes do
trabalho é no dicionário” e que, assim como na vida, “jogar” para ganhar é
diferente de jogar para evitar perder e pior do que perder é sentir medo de
perder.
Ajuda-nos previamente a compreender que a vida se faz de sucessos
e insucessos e que é importante
aprender com os insucessos que vão surgindo.
Levante-te e sorri, disseram-me um dia. Vencer aqui, é vencer lá fora;
não enquanto jogador, mas enquanto pessoa. Desde cedo foi isto que os meus
treinadores me transmitiram, pois no basquetebol, assim como na vida, se
perdemos um jogo perdemos pouco, mas se perdemos a coragem, perdemos tudo!
O basquetebol é uma amostra da vida, uma escola onde atitude é altitude.
E por ter a perfeita noção que é um lugar, em qualquer idade, privilegiado
à formação, regresso mas para o lado de lá. O lado daqueles que em tempos me
ensinaram muito do que hoje sei, não só como jogadora, mas como pessoa.
Regresso com o objetivo de continuar a aprender, mas principalmente com o ideal
de transmitir os valores a que hoje dou imenso valor e também a mim me ensinaram.
Sábado foi um dia em que comecei tudo de novo. Tal qual como no primeiro
dia. De baixo, perspetivando o cimo. Digo que “comecei” e não “recomecei”,
porque a verdade é que a experiência que adquirimos numa fase da
nossa vida, por vezes não nos serve de muito quando chegamos à fase seguinte.
Apesar da experiência que vamos adquirindo, chegamos, a cada uma das nossas
épocas, inexperientes e inseguros como da primeira vez.
A vida, na sua magnífica diversidade e o basquetebol mais
especificamente, vai-nos oferecendo constantemente novas situações, para as
quais nunca estamos verdadeiramente preparados. Não que isto seja mau, é
precisamente quando sentimos estas limitações da experiência que somos forçados
a crescer continuamente. Não estagnamos, porque temos constantemente objetivos
diferentes que dão colorido ao nosso desafio.
A verdade é que neste ponto da situação, conservando o sabor das vitórias
e derrotas passadas, se temos saudade do que ficou atrás, também nos é
permitido sonhar com o que está adiante, planeando as vitórias que se seguem. E
para isso, para nos divertirmos, para nos sentirmos como aventureiros no meio
de tudo isto, temos apenas de ter coragem. Coragem de não calarmos aquilo que
dentro de nós nos chama a um sonho, clama por aventura, pede para fazermos
qualquer coisa grande. O basquetebol é isso mesmo, é lutar por aquilo que se acredita,
é ter cabeça erguida humildemente e pensar que nada é impossível, pois os
sonhos do passado, são a força do presente e podem tornar-se realidade no
futuro. O limite é o céu, mas o céu não tem limites.
"Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is
that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness, that
most frightens us. Your playing small does not serve the world. We are all
meant to shine as children do. It's not just in some of us. It is in
everyone."
