domingo, 13 de setembro de 2009

"Tudo muda, tudo parte"

Ainda me lembro da primeira vez que te vi. Estava uma noite escura e fria. O jogo terminou, tu saíste na porta 6 e olhaste em teu redor. Num curto espaço de tempo, os longínquos 200km transformaram-se em concisos 2m.

Passado um ano e ténues meses estavas ali, frente a frente comigo, cabelo e olhos negros, esses cintilantes, vivos como uma chama acesa, que contrastavam com a roupa escura.

As palavras básicas foram mencionadas, em breves minutos, que passaram a segundos e desapareceram, em instantes.

Sinceramente, não sei bem o que falar sobre o período que decorreu entre esta noite e a próxima vez que te vi. Passaram meses e poucas foram as mensagens, telefonemas ou e-mails que trocámos.

Contudo, deixo Lisboa e sigo em direcção a norte...
Estávamos a meio do mês de Agosto. O sol brilhava intensamente. 16, era a hora marcada. O rio, iluminado pela estrela central do nosso sistema planetário, estava extraordinário. O remexer das árvores era tão suave e tranquilo. A sombra que delas provinha era ainda mais agradável. É um lugar diferente, onde o passado e o presente se misturam, e a serenidade do ambiente cede dias de sonho.
Acho que tudo naquela cidade me parecia novo, tão novo, que me fazia parecer que nada daquela beleza natural existiria em Lisboa. Seguramente existe, mas eu nunca me dei à magnificência de apreciá-la.

Estavas diferente, diferente o suficiente para eu dizer que não eras, certamente, tu. Um rudimentar corte, exacto. Que parvoíce!

As horas passavam e continuávamos ali, a falar… O que decerto nunca teríamos falado, ou se falámos, foi por telemóvel. Diferente, obviamente.

Aí o tempo passava devagar. Poucas pessoas se viam na rua, as lojas estavam, maioritariamente, fechadas, um silêncio enorme era quebrado por crianças que ali passavam. Umas brincavam com a família, outras corriam e gritavam atrás dos pombos, todas elas despertavam a atenção, mas lembro-me especialmente de um menino que passou por nós naqueles carros vermelhos, iguais aos da Expo, enquanto tu disseste “será que também posso andar?”.

Nesse breve espaço de palavras lembrei-me o quanto gostava de ti quando era mais nova. Crianças inocentes, que tolice, nem nos conhecíamos. Lembro-me tão bem quando disseste que por mim procuravas Carnide e pediste-me que fosse ter contigo a Lisboa, pois estavas lá numa visita de estudo. Em tão pouco tempo ficaste um homem. Um “super”, por assim dizer. As histórias encantadas terminaram nesse exacto ano, 2007. Decerto, nunca existiram, apenas na nossa mente, de crianças.

Passaram horas, minutos, segundos e aquele fim-de-semana, terminou a observar-te ir embora. Parece que foi ontem. Direccionei o meu olhar ligeiramente para trás, saíste pelo jardim, atravessaste a estrada, seguiste em frente, e a tua t-shirt verde, jamais a vi.

Depois desse dia, Sexta-Feira, 21 Agosto, o que aconteceu foi esquecido, abandonado, no formato de uma carta, dentro de uma garrafa, no Rio Mondego, nas terras de D.Pedro e D.Inês.

Coreografia bem executada, musical concluído.

Hoje, Domingo, dia 13 de Setembro, pelas 03h28m, já em casa, chego à conclusão que, naturalmente, não te reconheci, naquele dia, porque nunca te cheguei a conhecer.
Presumivelmente, só conheci a criança que existiu e, sabes… vou continuar a tratar-te como tal.

O sorriso aparece, ligeiramente, «sorriso do hei-de voltar». Este foi o melhor sítio para me despedir do verão.

“SD, não. Apenas DC, sff.”

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