Durante a infância contam-nos histórias cujo final termina, invariavelmente, "e foram felizes para sempre...". Não nos dizem que esse estado durou apenas uma hora, ou uma década, mas sim que não teve fim. Certo é que essa sementinha vai germinando dentro de nós e criando ilusões. Um dia, pensamos, serei eu também uma princesa que encontrará um reino onde possa ser acarinhada até ao fim da vida! Mas, pouco a pouco, as ilusões vão sendo substituídas pela realidade, essa sim bastante mais dura. Olhamos à nossa volta e averiguamos que poucas pessoas são, de facto, felizes.Umas preferem iludir-se e transmitir cá para fora uma imagem imaginária, outras arrastam-se pela vida de uma forma penosa, como se nada lhes fizesse sentido. Mas afinal o que é a felicidade? Sendo uma emoção, é, também, algo que por definição é curto no tempo. O mesmo se passa com as outras cinco emoções: a surpresa, o medo, o desgosto, a raiva e a tristeza. Ninguém pode sentir-se surpreendido durante muito tempo, deparamos sempre com alternativas que nos protegem do medo e permitem ultrapassar os momentos de tristeza, logo, também o estado de felicidade se desvanece, por vezes muito rapidamente. Quantas pessoas ouvimos dizer que foram felizes no passado e que agora a vida não lhes diz nada? Na altura, não valorizaram o que tinham, porque acharam que era algo perfeitamente banal, agora, face à adversidade, dedicam-se a comparar o passado com o presente. Faz parte da natureza humana querermos sempre mais e mais...
É certo que este desejo nos impele a ir para a frente e nos confere algum sentido para a vida, mas viver sempre no futuro é não conseguir aproveitar o que o presente tem de bom.A gestão de expectativas tem também muito que ver com a questão de procura de felicidade. Expectativas demasiado elevadas em relação à vida e ao que ela nos pode reservar são meio caminho andado para a frustração.
Precisamos de "viver na escuridão, para darmos valor ao brilho do sol!". Parece que vamos perdendo capacidades de nos iludirmos e mesmo os contos de fadas modernos já deixaram de ter finais felizes para sempre.Procuramos, a todo o custo, encontrar um caminho que nos conduza directamente à felicidade e, nessa ansiedade, esquecemo-nos de que ele está muito perto de nós, ou mesmo dentro de nós. Basta desejarmos menos, aproveitarmos mais e aprendermos a viver um dia de cada vez. No fundo, tudo se resume a dar ouvidos à velha ideia que nos aconselha a olharmos para o lado da garrafa cheia, ao invés de valorizarmos a parte vazia! Não é que isto impossibilite o facto de crermos que a garrafa poderá estar totalmente cheia.
DéboraHerzig
24/08/2009
