O meu destino tentei passar para uma folha de papel. Numa simples página dizia o que tinha a dizer, o que sentia e o que esperava do futuro. O presente obrigava-me a fazer constantes alterações nessa mesma folha, frases passavam a simples palavras assim como sonhos passavam a um simples “nada”, como prova de que esses simples “nadas” existiam na folha sobressaiam os rasgões provocados pela borracha de tantas vezes os alterar ou simplesmente apagar. Mas a folha mantinha-se lá, era a mesma, a única diferença é que tinham surgido mais uns rasgões. Era fraca, até com o simples passar da caneta por vezes rasgava. Era como se o destino não quisesse que eu escrevesse, talvez não quisesse que eu me iludisse, já sabia que tudo o que eu ali escrevesse iria acabar por apagar e novos rasgões surgiriam. Ás vezes nem escrevia, a caneta falhava, falhava unicamente naquela folha, até a caneta temia por mim, já nem ela queria mais ver aquela pobre folha sofrer.Foram sonhos que construí, o futuro que idealizei, o MEU futuro é agora o que EU quero, neste momento, esquecendo os rasgões passados.
